Clara Offreduccio nasceu em 16 de julho de 1194, em Assis, na Úmbria (Itália). Pertencia a uma família nobre: seu pai, Favarone di Offreduccio, era conde; sua mãe, Ortolana, era conhecida pela piedade e por peregrinações à Terra Santa. Clara foi educada na fé católica e, desde menina, demonstrou inclinação à oração, ao silêncio e à caridade.
No Domingo de Ramos de 1212, aos 18 anos, Clara ouviu São Francisco de Assis pregar na Igreja de São Rufino. As palavras sobre despojamento, pobreza radical e seguimento do Cristo crucificado incendiaram seu coração.
Na noite entre 18 e 19 de março de 1212, fugiu de casa acompanhada de sua prima Bona de Guelfuccio. Na Porciúncula, Francisco a recebeu, cortou seus longos cabelos, revestiu-a com um hábito simples de penitência e a consagrou a Deus.
A família, inconformada, tentou trazê-la à força. Clara refugiou-se primeiro no mosteiro beneditino de São Paulo das Abadessas e depois no de Santo Ângelo de Panzo.
Quando seu tio Monaldo tentou arrancá-la, ela agarrou-se ao altar, mostrou a cabeça tonsurada e declarou:
"Nada me separará do Esposo que escolhi"
Pouco depois, sua irmã mais nova, Inês, juntou-se a ela, seguida por outras jovens da região.
Francisco levou Clara e seu grupo para o pequeno oratório de São Damião, que ele mesmo restaurara. Ali nasceu a primeira comunidade das “Senhoras Pobres” (posteriormente Clarissas).
Viviam em clausura, oração contínua, trabalho manual e pobreza absoluta, seguindo o carisma franciscano adaptado à vida feminina. Clara foi eleita abadessa ainda jovem, guiando a comunidade com autoridade serena e maternidade espiritual.
Em 1215 ou 1216, o Papa Inocêncio III concedeu a Clara o “Privilegium Paupertatis”, documento inédito que permitia à comunidade viver sem possuir bens materiais, confiando apenas na Providência e nas esmolas.
Foi a primeira vez que a Santa Sé reconhecia oficialmente o direito à pobreza absoluta para uma ordem religiosa feminina.
Após a morte de Francisco (1226), a hierarquia pressionou por regras que permitissem propriedades coletivas.
Em 1228, o Papa Gregório IX tentou impor uma regra mitigada; Clara resistiu firmemente, afirmando que a pobreza não era um meio, mas o próprio coração do seu voto.
Durante anos, manteve correspondência com comunidades distantes, especialmente com Inês de Praga, orientando-as a conservar o espírito original.
A partir dos anos 1220, Clara sofreu de enfermidades crônicas que a deixaram acamada por longos períodos.
Mesmo assim, sua vida espiritual intensificou-se. Tornou-se conhecida por visões eucarísticas, discernimento e por sustentar a ordem com sua oração intercessora.
Dizia: “Contemplai o Esposo, segui-o, revesti-vos d’Ele”.
Após décadas de resistência pacífica e fidelidade ao carisma, o Papa Inocêncio IV aprovou finalmente a Regra escrita por Clara, a primeira regra monástica redigida por uma mulher para uma ordem feminina.
Ela a chamou de “espelho que reflete a vida de Cristo”.
Dois dias após a aprovação da Regra, Clara faleceu em São Damião, rodeada por suas irmãs e por frei Leão, que lhe trouxe o Crucifixo de São Damião.
Suas últimas palavras foram dirigidas à própria alma:
"Vai em paz, porque tens um bom guardião. Aquele que te criou te santificou e, depois de te criar, infundiu em ti o Espírito Santo. Ele te guardou como uma mãe guarda o filho."
Foi canonizada pelo Papa Alexandre IV em 26 de setembro de 1255, apenas dois anos após sua morte.
Hoje é padroeira da televisão (devido a uma visão em que, acamada, viu a Missa projetada na parede do quarto), das bordadeiras, das pessoas com doenças oculares e, naturalmente, da Ordem das Clarissas.
Seu carisma de pobreza radical, contemplação e fraternidade evangélica permanece vivo em milhares de mosteiros ao redor do mundo.
(Para uso diário, conforme a necessidade espiritual ou em comunidade)
Santa Clara, espelho de pobreza e luminária de contemplação,
que deixaste tudo por seguir o Cristo crucificado
e encontraste em São Damião o lugar onde teu coração se fez altar,
intercede por nós junto ao Senhor. Amém.
“Como Clara, somos chamados a despojar-nos do supérfluo para nos revestir de Cristo.
Ela não viu na pobreza uma falta, mas um abraço à Providência;
não viu na clausura um cárcere, mas um tálamo para o Esposo divino.
Em suas cartas e sofrimentos, ensinou que a verdadeira liberdade nasce da obediência ao amor
e que a Eucaristia é o centro que sustenta a vida.”
🕊️ Pela Igreja: Que nunca perca o fervor da pobreza evangélica e a coragem de seguir o Evangelho sem concessões.
🤲 Pelos consagrados e leigos: Que encontrem em Santa Clara um modelo de fidelidade, oração silenciosa e confiança radical em Deus.
🛏️ Pelos doentes e sofredores: Como Clara, que transformou a enfermidade em ofertório, que saibamos unir nossas dores à Cruz de Cristo.
🏡 Por nossas famílias e comunidades: Que sejam lugares de partilha, desapego e busca sincera da paz evangélica.
💬 Por mim, Senhor: (fazer aqui a petição pessoal em silêncio)
Ó Deus, que iluminaste Santa Clara com a luz do Espírito para que, seguindo os passos de São Francisco, consagrasse sua vida à pobreza, à oração e ao serviço silencioso do Evangelho, concede-nos, por sua intercessão, a graça de buscar sempre o Reino acima de tudo, de amar a cruz como caminho de vida e de encontrar em Ti, Senhor Jesus, a única riqueza que não se corrompe. Que, como Clara, saibamos dizer ao mundo com nossa vida: “Basta-me Cristo”. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Santa Clara de Assis, rogai por nós.
São Francisco, pai dos pobres, intercedei por nós.
Jesus Eucarístico, Pão que se parte, permanecei conosco.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
📖 Sugestão de uso permanente:
Rezar ao amanhecer ou ao entardecer.
Uma vez por semana, ler um trecho das Cartas de Santa Clara ou da Regra de 1253.
Em dias de dificuldade, repetir: “Basta-me Cristo. Ele me basta.”
🌿🕊️ Que a intercessão de Santa Clara nos ensine a encontrar Deus no silêncio, a abraçar a pobreza como liberdade e a viver cada dia como uma oferenda ao Amor que tudo sustenta.
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