Nas últimas décadas, a Igreja viu surgir numerosas comunidades, movimentos, associações e novas formas de vida apostólica. Esse florescimento é reconhecido como ação do Espírito Santo, mas também exige discernimento para garantir a fidelidade ao Evangelho e à comunhão eclesial.
A Exortação Apostólica Christifideles Laici, especialmente nos números 29 e 30, apresenta critérios seguros para discernir a autenticidade de uma comunidade eclesial.
Esta formação destina-se a fundadores, lideranças, coordenadores, membros de comunidades, equipes de discernimento e agentes de pastoral que desejam compreender o que torna uma comunidade verdadeiramente católica.
Uma comunidade eclesial é uma reunião estável de fiéis que, movidos por um carisma suscitado pelo Espírito Santo, buscam viver o Evangelho em comunhão com a Igreja para a santificação dos seus membros e a evangelização do mundo.
Uma comunidade não nasce apenas de uma ideia humana.
Ela nasce de:
Um chamado de Deus.
Um carisma específico.
Uma missão evangelizadora.
Uma experiência de comunhão.
Nem todo agrupamento cristão é uma comunidade eclesial.
Uma comunidade não pode nascer apenas de:
Insatisfações pessoais.
Conflitos com a paróquia.
Desejo de independência.
Busca de reconhecimento.
Afinidades humanas.
Quando o fundamento não é Cristo, a comunidade tende a perder sua identidade.
Por que desejamos fundar uma comunidade?
Qual necessidade da Igreja buscamos atender?
Existe um verdadeiro chamado de Deus ou apenas um projeto pessoal?
Carisma é um dom concedido pelo Espírito Santo para o bem da Igreja.
Nenhuma comunidade nasce sem um carisma.
O carisma:
Define a identidade da comunidade.
Determina sua missão.
Orienta sua espiritualidade.
Inspira sua forma de evangelizar.
Um carisma autêntico:
Aproxima de Cristo.
Produz frutos de conversão.
Promove a comunhão.
Gera serviço.
Permanece fiel à Igreja.
Quando uma suposta inspiração:
Afasta da Igreja.
Coloca o fundador acima de Cristo.
Cria divisões.
Produz confusão doutrinal.
É necessário prudência e discernimento.
A primeira característica de uma comunidade autêntica é conduzir seus membros à santidade.
A comunidade existe para formar santos.
Uma comunidade saudável promove:
Oração diária.
Vida sacramental.
Conversão contínua.
Crescimento nas virtudes.
Amor a Deus e ao próximo.
Os membros crescem espiritualmente?
Há testemunhos de conversão?
Existe vida de oração consistente?
A comunidade deve professar integralmente a fé da Igreja.
Não existe carisma autêntico sem fidelidade doutrinal.
Toda comunidade precisa oferecer:
Estudo da Sagrada Escritura.
Conhecimento do Catecismo.
Formação litúrgica.
Doutrina Social da Igreja.
Conhecimento dos documentos do Magistério.
Revelações privadas acima da Igreja.
Interpretações pessoais da doutrina.
Rejeição do Magistério.
Relativização dos sacramentos.
O que ensinamos está de acordo com a Igreja?
Nossos formadores possuem preparo adequado?
Há correção quando surgem erros doutrinários?
Nenhuma comunidade é autônoma em relação à Igreja.
Toda comunidade deve viver em comunhão com:
O Papa.
O Bispo diocesano.
Os sacerdotes.
O Bispo é o primeiro responsável pelo discernimento dos carismas em sua diocese.
Uma comunidade madura:
Busca orientação.
Aceita correções.
Presta contas de sua missão.
Colabora com a Igreja local.
Resistência à autoridade eclesial.
Falta de transparência.
Isolamento pastoral.
Espírito de superioridade.
Mantemos diálogo com a Igreja local?
Aceitamos correções?
Vivemos verdadeira obediência eclesial?
Uma comunidade não pode viver voltada apenas para seus membros.
Ela deve estar constantemente em saída missionária.
Evangelização.
Catequese.
Missões populares.
Formação cristã.
Promoção humana.
Obras de caridade.
Uma comunidade perde sua vitalidade quando:
Só realiza encontros internos.
Não acolhe novos membros.
Não evangeliza.
Vive apenas para sua manutenção.
Nossa comunidade gera discípulos?
Estamos alcançando novas pessoas?
Há frutos missionários concretos?
A evangelização não termina dentro da comunidade.
O Evangelho deve alcançar:
A família.
A cultura.
A educação.
A política.
O trabalho.
A economia.
Uma comunidade autêntica promove:
Justiça.
Solidariedade.
Defesa da vida.
Promoção da dignidade humana.
Cultura da paz.
Nossa ação transforma vidas?
Temos compromisso com os pobres?
Nossa presença gera impacto positivo na sociedade?
Responder:
Quem somos?
Para que existimos?
Qual é nossa missão?
Deve conter:
Finalidade.
Espiritualidade.
Estrutura de governo.
Critérios de admissão.
Direitos e deveres.
A formação deve contemplar:
Dimensão espiritual.
Dimensão humana.
Dimensão doutrinal.
Dimensão missionária.
Lideranças e membros precisam de acompanhamento constante.
A comunidade deve possuir transparência:
Financeira.
Administrativa.
Pastoral.
Quando a figura do fundador substitui a centralidade de Cristo.
Quando a autoridade deixa de ser serviço.
Quando a comunidade se fecha à Igreja.
Quando a missão sufoca a vida espiritual.
Quando a formação é negligenciada.
Quando faltam diálogo, caridade e humildade.
Nenhuma fundação deve nascer da pressa.
Escutar irmãos maduros na fé.
Buscar orientação de sacerdotes e diretores espirituais.
Jesus ensinou:
"Pelos seus frutos os conhecereis."
Perguntas importantes:
Há conversão?
Há comunhão?
Há fidelidade à Igreja?
Há crescimento espiritual?
Toda fundação precisa ser apresentada à autoridade competente para discernimento.
Antes de iniciar ou consolidar uma comunidade, responda:
□ Nossa comunidade conduz à santidade?
□ Somos fiéis ao ensinamento da Igreja?
□ Vivemos unidos ao Papa e ao Bispo?
□ Evangelizamos de forma concreta?
□ Produzimos frutos na sociedade?
Se alguma dessas respostas for negativa, há necessidade de aprofundar o discernimento e a formação.
Segundo a Christifideles Laici, uma comunidade autêntica não é definida pelo número de membros, pela eficiência de sua organização ou pelo carisma de seus líderes.
Ela é reconhecida principalmente por:
Sua fidelidade a Cristo.
Sua comunhão com a Igreja.
Sua capacidade de gerar santos.
Seu compromisso missionário.
Seus frutos de amor, unidade e evangelização.
Uma comunidade verdadeiramente eclesial é um dom do Espírito Santo colocado a serviço de toda a Igreja e para a salvação das pessoas.